Em 2017, a Deloitte Insight publicou uma série de artigos sobre agilidade em contratos de governo, abordando temas como a cultura existente nas contratações, como escalar o ágil para grandes projetos, a mudança de mind-set para contratações, exemplos de medição de contratos, o papel do product owner e os números da agilidade no governo dos Estados Unidos da América. Segundo os artigos, historicamente os governos gastam muito com tecnologia da informação, seja na compra de equipamentos, licenças de softwares ou o desenvolvimento de novas soluções, mas em muitos casos não são gastos eficientes. Atualmente gastam muito mais devido ao foco em transformação digital. Para esse processo de contratação e entrega de serviços aconteça, alguns passos macros são realizados, como a elaboração do edital, licitação, homologação do vencedor, execução do serviço, medição, pagamento e encerramento do contrato. Processos esses que, dependendo do tipo de contratação, podem durar até uns 7 anos.

Um termo que as empresas privadas têm utilizado atualmente no cenário de agilidade é o “time to Market”. Aquele tempo que elas lançam o produto no mercado e validam se estão no caminho certo, modificando ou não para o próximo lançamento. Será que as contratações de sistema para o governo poderiam seguir essa mesma linha? Afinal, a necessidade de um cidadão hoje não é a mesma de ontem e não será a mesma do ano seguinte. Visto ainda que a necessidade está em constante mudança, juntamente com a maneira que ela pode ser atendida (produto/serviço). Como tornar as contratações “ágeis”? Quando uso o termo contratações ágeis, refiro-me aquele tipo que utiliza os princípios do manifesto ágil, tais como: entrega mais cedo e contínua de um produto que represente valor ao cliente; bem-vindo as necessidades de mudança; entrega de produtos em curto espaço de tempo; pessoas de negócios e desenvolvedores trabalhando juntos durante o projeto, entre outros. E o que observamos hoje são contratos muitas vezes onde o produto é entregue meses após o início do projeto e ainda não atendendo a necessidade do cliente, gerando atritos entre o contratante e a contratada.

Essa busca pela agilidade nos traz alguns desafios. Primeiro: como remover os gaps existentes entre a maneira de trabalho das empresas públicas (tidas como burocráticas, engessadas) e das empresas contratadas de software (adaptativas, com foco em valor). Segundo: como medir a entrega de valor do sistema. O governo deverá pagar por módulo entregue, por ponto de função, por hora, por unidade técnica de serviço desenvolvido, ou por caso de uso? Esse segundo desafio envolve ações de alinhamento tanto por parte da criação de pessoas capacitadas dentro do governo quanto pela empresa contratada para trabalhar dessa “nova forma”. Terceiro: confiança. Como criar um ambiente de confiança entre o contratante e a contratada, visto que os dois podem sofrer sanções caso algo saia fora do planejado. Nesse cenário, não importa se o que foi entregue será usado ou não, desde que não fuja do plano e passem pelos órgãos fiscalizadores. Quarto: pessoas que entendem do negócio. Onde fica esse conhecimento? A troca de profissionais no governo é constante, onde muitas das vezes, dependendo da duração do contrato, quem contrata não será o mesmo que fará uso da solução. Isso poderá dificultar o atesto do serviço por parte da contratante, prejudicando diretamente a contratada.

Isto posto, é imperativo a utilização de novas formas de contratação de software por parte do governo, dado a sua característica extremamente maleável, em constante mudança de funcionalidades e escopo. Como exemplo, o modelo de contratação por “Tempo e material” é um caminho que pode ser utilizado: o trabalho foi feito então pague. A meta seria garantir que o trabalho que foi solicitado e entregue está entregando valor público, tão almejada pelo cliente e seus usuários. Além disso, buscar formas de monitorar a execução do contrato, incentivando a entrega de produtos utilizáveis de forma contínua (curtos período de tempo), beneficiando tanto o governo, que irá disponibilizar o serviço para população o quanto antes, quanto para o contratado, que estará recebendo pelo serviço e sempre alinhado com a necessidade do governo.

Amigos, é possível ou necessário que sigamos nesse caminho? Tem algum caso para compartilhar com a gente?

Forte abraço e até a próxima!

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